CONSEQUÊNCIAS - Comissão cancela conferência ligada à COP30 em Belém alegando "motivo de força maior"


 

Pode significar qualquer coisa, inclusive nada, mas circula em grupos de WhatsApp comunicado atribuído à comissão organizadora da International Child & Youth Conference on Education and Climate Change - Conferência Internacional Infanto Juvenil sobre Educação e Mudanças Climáticas - “Reflorestando Mentes” - lamentando o cancelamento do evento previsto para Belém de 17 e 21 de março. Chamada de “COP Jovem”, a conferência seria parte dos encontros preparatórios para a Conferência da ONU, em novembro.


O evento teria investimentos de R$ 68 milhões, média de R$ 4 milhões por unidade de ensino no Pará, as mesmas escolas que servirão de hospedagem para a COP30. O problema é que a única escola entregue, nesse padrão, é a Ulisses Guimarães, em Nazaré, e 16 ainda estão em reforma. O governo do Estado ainda não se manifestou sobre o assunto.


Deu nas Redes Sociais


Eis a íntegra da nota: “Gostaríamos de expressar nossa gratidão e reconhecimento a todos os envolvidos na Conferência, que infelizmente teve que ser cancelada devido a motivos de força maior. A comissão organizadora trabalhou incansavelmente para tornar o evento uma realidade. Agradecemos imensamente o empenho, dedicação e apoio de todas as escolas públicas estaduais paraenses participantes, parceiros e apoiadores locais, nacionais e internacionais. 


A Comissão reafirma seu compromisso com a pauta climática e com a mobilização internacional em torno da COP30 Belém, seguindo empenhados em encontrar alternativas para promover iniciativas que assegurem a participação e o engajamento das novas gerações em debates fundamentais para o futuro do planeta”.


Frustração Geral

A Conferência Internacional Infantojuvenil sobre Educação e Mudança do Clima previa promover o intercâmbio e o interesse dos jovens nas questões ambientais, com projetos e ações dialogadas no âmbito da sustentabilidade e clima para a COP30. A expectativa era de que mais de 2 mil participantes e cerca de 200 países membros da ONU participassem do evento. 


A promoção seria da Conferência é do governo do Estado, através da Secretaria de Educação. A Secretaria está passando atualmente por momentos de crise, com a ocupação da sede da entidade por lideranças indígenas e a greve dos professores. 


Em alto nível

Até o final do ano passado, a Seduc estava muito empenhada na organização da Conferência. Os professores da rede pública contavam que a maioria deles iria ter uma semana de folga em março, durante o evento.


Em outubro passado, houve uma reunião entre a Seduc e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que teve presença do representante do Unicef no Brasil, Youssouf Ould Abdel-Jelil, realizada na Casa da ONU, em Belém. Dias depois, houve outra reunião, desta vez com o governador Helder Barbalho e o CEO da Iniciativa Global Generation Unlimited, Kevin Frey.


Youssouf disse, à época, que a parceria entre Seduc e Unicef estava firmada e as ações em prol da educação estavam sendo trabalhadas. “A parceria com o Unicef está alicerçada, agradeço por isso. Belém e o Pará são importantes para o Unicef, então, estamos prontos, tratando dos preparativos para o evento”, afirmou.


Eixos Prioritários

A iniciativa da Seduc pela Conferência foi instituída em setembro do ano passado, baseada em um dos eixos prioritários da Lei 9.981/2023, que implementou a Política Pública de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima.  Segundo a Secretaria, a Conferência buscava focar em um dos principais objetivos dessa política: formar cidadãos conscientes e críticos. “Com a realização da Conferência, os estudantes da rede pública do Pará serão incentivados a buscar conhecimentos sobre a agenda ambiental, para serem jovens amazônidas engajados nas discussões propostas durante a COP30”, sonhavam os promotores do evento.


Por todo o Pará

Os estudantes da rede pública estadual, com idade entre 12 e 18 anos, chegaram a submeter seus projetos para a Conferência. Em outubro, a Seduc divulgou o resultado. Antes, na primeira fase, as escolas realizaram suas próprias conferências, nas quais os estudantes apresentaram projetos e escolheram os representantes para a segunda fase, que foi realizada por cada Diretoria Regional de Ensino. A terceira e última fase seria a própria Conferência, agora cancelada. 


Os preparativos abrangeram as 12 regiões de Integração do Pará: Araguaia, Baixo Amazonas, Tocantins e Xingu, com oito projetos cada; a Região Metropolitana de Belém, com 32 projetos selecionados; e as regiões Caeté, Capim, Carajás, Guamá, Lago Tucuruí e Marajó, com quatro projetos. 


Foram destinadas também seis vagas de projetos da educação escolar de territórios indígenas, com a participação de 12 estudantes e seis professores orientadores, a mesma quantidade para territórios quilombolas. 


Ganhou, mas não levou

Em outubro foram divulgados os 144 estudantes embaixadores representando os municípios paraenses, os 144 chaperones, ou acompanhantes; e os 128 estudantes dos projetos ambientais com 64 professores orientadores para a Conferência, sob o tema "Reflorestando Mentes".   A relação com os nomes foi divulgada no site do evento e no Seduc, que era a “executora do projeto”, conforme divulgado pela Agência Pará.


As etapas nacional e internacional seriam realizadas por "Manifestação de Interesse", que permite à sociedade civil mostrar interesse público em estar no evento. 


No Brasil, os 26 Estados mais o Distrito Federal chegaram a ser convidados por meio do Conselho Nacional de Secretários de Educação, e os Estados iriam indicar seus representantes. Para a participação de estudantes de outros países, o convite foi feito por meio do Ministério das Relações Exteriores.  Os eventos da Conferência cancelada seriam realizados no Hangar e os estudantes seriam alojados nas 17 escolas estaduais que estão passando por obras de reestruturação e adequação para a COP30.


Fonte: Portal Olavo Dutra 


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